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Pela Memória de Mayara Amaral, pelas vidas das mulheres na música e no mundo: #NenhumaAMenos

por Rede Sonora no Portal Catarinas – texto escrito por Camila Zerbinatti

É com profundo pesar que nós, da Rede Sonora – músicas e feminismos, escrevemos esse texto pela memória de Mayara Amaral, violonista, pesquisadora e professora de música. Escrevemos pelas vidas das mulheres na música e no mundo todo. Lamentavelmente Mayara Amaral, 27 anos, foi brutalmente assassinada, na noite da última segunda-feira (26), em Campo Grande/MS, em um crime que contou com a participação central de outro músico – um baterista que já tinha tocado e trabalhado com Mayara e que de acordo com as notícias locais, tinha um relacionamento com ela.

À família e às/aos amigas/os e conhecidas/os de Mayara, expressamos nossos sentimentos e nossa solidariedade. À essas pessoas pedimos desculpas e licença para falar do que aconteceu com Mayara nesse texto que chega em um momento tão grave e de tão indizível dor. Para vocês, nesse momento, dedicamos nossa total e irrestrita solidariedade, nosso apoio e nossas condolências – estamos com vocês.

(…)

Ler texto na íntegra

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Leia também:

Quem é Mayara Amaral?, por Pauliane Amaral

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Mais sobre Mayara Amaral:

Canal do Youtube

Dissertação de mestrado: A mulher compositora e o violão na década de 1970: vertentes analíticas e contextualização histórico-­estilística

 

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Ata da reunião de 05/06/2017 – GE “Denise Garcia”

  • Leitura e discussão de textos:

Garcia, Denise. Composição por metáforas. In: Ferraz, Silvio (org.). Notas, Atos, Gestos. 7Letras, 2007, pp. 53-76.

Puig, Daniel. Conversa com Denise Garcia. Linda: revista sobre cultura eletroacústica. Ano 2, #2, 2015.2

 

  • Calendário:

– Vozes com Denise Garcia no dia 12/06

– Últimos dois encontros do semestre para conversar sobre organização do grupo: GE (19/06) e encaminhamentos para a própria rede (26/06).

– Participação na reunião do Coletivo Feminista da ECA (Tema: Correntes feminista), dia 27/06, quinta-feira, às 17h30, seguido de confraternização.

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E não as chame de “mulheres”* compositoras

Pauline Oliveros, 13 de setembro de 1970
tradução de Ariane Stolfi, 13 de dezembro de 2016

Porque não existem “grandes” compositoras mulheres? A questão é frequentemente feita. A resposta não é um mistério. No passado, talento, educação, habilidade, interesse, motivação eram irrelevantes porque ser mulher era uma qualificação unicamente para trabalho doméstico e para uma contínua obediência e dependência dos homens.

Hoje em dia isso não é menos verdade. As mulheres têm sido ensinadas a desprezar as atividades fora do âmbito doméstico considerando-as não-femininas, assim como os homens têm sido ensinados a desprezar as tarefas domésticas. Para o homem, independência, mobilidade e ação criativa são imperativas. A sociedade tem perpetuado uma atmosfera não natural que encoraja distorções como a palavra “menina” ser usada como um palavrão por garotos de 9 ou 10 anos. Desde a infância garotos são enrolados em cobertores azuis e constantemente direcionados contra o que é considerado atividade feminina. Que tipo de auto-imagem as meninas novas podem ter, dessa forma, com metade de seus pares lhes desprezando por terem sido desencorajadas das chamadas atividades masculinas e enroladas em mantas cor de rosa?

A distorção continua quando a puberdade chega e os garotos se voltam às garotas como objetos sexuais mas sem compreender como se relacionar com elas em outros níveis importantes. Pense na taxa de divórcios! Não importam quais sejam suas realizações, quando chega a hora, é esperado que a mulher ceda, se dedique aos seus deveres femininos e obedientemente siga seu marido onde quer que seus esforços ou inclinações o leve – não importando o quão prejudicial possa ser para ela mesma.

Um compositor bastante renomado tem uma esposa que também é uma compositora competente. Eles viajam juntos extensivamente e frequentemente retornam aos mesmos lugares para performances dos trabalhos dele. Ela raramente é, se é que foi alguma vez, solicitada pelo seu próprio trabalho e ninguém parece ver nada de errado em ignorar constantemente a produção dela e ao mesmo tempo procurar continuamente pelo trabalho de seu marido.

Muitos críticos e professores não conseguem se referir a mulheres que também são compositoras sem usar linguagem fofa ou condescendente. Ela é uma “mulher compositora”. Corretamente, esta expressão é um anátema para várias  para várias compositoras mulheres respeitadas. Isso efetivamente separa os esforços das mulheres do mainstream. De acordo com o Dicionário da Gíria Americana, “mulher” usada em tal contexto é quase insultante ou sarcástico. O que os críticos de hoje diriam de um “homem compositor?”

Ainda é verdade que, a não ser que ela seja super-excelente, a mulher na música vai ser sempre subjugada, enquanto homens com o mesmo ou menos talento vão encontrar lugar para si. Não é suficiente que uma mulher escolha ser compositora, regente ou toque um instrumento que tenha sido tocado exclusivamente por homens no passado; ela não consegue evitar de ser esmagada em seus esforços – se não diretamente, então pela sutil e incidente exclusão pelos seus colegas machos.

E mesmo assim, algumas conseguem romper com essa barreira. O catálogo Schwann atual lista cerca de 1000 compositores diferentes. Clara Schumann ou a Elizabeth J. de la Guerre do Período Romântico são as representantes solitárias das mulheres compositoras do passado. Mas, olhando pelo lado positivo, cerca de 75 porcento da lista de mais de 1000 compositores são do tempo presente e 24 deles são mulheres. Essa estatística aproximada aponta duas tendências felizes: 1) que compositoras do nosso tempo não são mais ignoradas, e 2) que as mulheres podem estar emergindo da subjugação musical. (É significativo que na biografia de Schumann que eu li, Clara é sempre mencionada como pianista, não como compositora e é citada por ter dito ‘Eu dei a minha vida pelo Robert’ )

A primeira das duas tendências está se desenvolvendo apesar mesmo da maioria dos performers não incluírem música contemporânea nos seus repertórios e de raramente professores particulares encorajarem seus estudantes a experimentar músicas novas ou mesmo a se familiarizar com seus compositores locais. Agências como as fundações Rockefeller e Ford nos ajudaram a estabelecer centros para música nova em universidades por todo o país e organizações independentes como o Once Group de Ann Arbour e o San Francisco Tape Music Center promovem programas intensos de música nova desde os anos 60. Esforços isolados individuais pelo país têm criado gradualmente uma rede ativa de música nova.

Por fim, as agonizantes organizações sinfônicas e de ópera precisam acordar para o fato de que a música do nosso tempo é necessária para angariar a audiência das pessoas com menos de 30 anos. A mídia de massa, a rádio, a TV e a imprensa, poderiam ter grande influência no encorajamento da música Americana acabando com a competição entre a música do passado e a do presente.

Muitos dos compositores de hoje não estão interessados nos critérios aplicados às críticas aos seus trabalhos e cabe aos críticos identificar novos critérios indo até os compositores. Com mais performances de novos trabalhos, nos quais os compositores estejam presentes, e com a maior mobilidade da nossa sociedade, os críticos têm uma oportunidade única – e um dever – de conversar diretamente com os compositores. Já que os performers são frequentemente irresponsáveis com novos trabalhos por desrespeito ou falta de modelos estabelecidos, trabalhos com os quais os críticos estejam familiarizados tendem a escapar de erros de um mal julgamento mordaz devido à má performance. O crítico ideal poderia não só interpretar tecnicamente e encorajar uma atmosfera que seja simpática ao fenômeno da nova música, mas também apresentar o compositor como uma pessoa real e legítima para as audiências. Certamente, nenhum “grande” compositor, especialmente uma mulher, tem a chance de emergir numa sociedade que acredita que toda “grande” música foi escrita por aqueles que já partiram faz tempo.

A segunda tendência, é claro, é dependente da primeira por causa da privação cultural da mulher no passado. Críticos causam um grande nível de dano tentando descobrir “grandezas”. Não importa que nem todos compositores sejam grandes compositores; importa que suas atividades sejam incentivadas para toda a população, que nós nos comuniquemos uns com os outros de maneiras não destrutivas. Mulheres compositoras são frequentemente tratadas como talentos menores ou mais leves baseado em críticas a um trabalho único por críticos que nunca procuraram examinar suas partituras e nem esperaram desenvolvimentos futuros.

Os homens não precisam cometer suicídio sexual para incentivar suas irmãs na música. Já que eles estiveram no topo por tanto tempo, eles podem procurar pelas mulheres e encorajá-las em todos os campos profissionais. Bibliotecas de músicas de mulheres devem ser estabelecidas. As mulheres precisam saber o que elas podem alcançar. Críticos podem parar de serem fofos e começarem a estudar as partituras. (A Federação Nacional de Clubes Musicais preparou um Diretório de Compositoras Mulheres. Ele pode ser obtido escrevendo para Julia Smith, 1105 West Meulberry Street, Denton, Texas 76201. Uma discografia completa de música gravada por compositoras como listado no catálogo Schwan acompanha este artigo.)

Próximo ao começo do século, Nikola Tesla, engenheiro elétrico e inventor da corrente alternada, previu que as mulheres iriam um dia liberar seus enormes potenciais criativos e por um certo tempo iriam se sobressair aos homens em todos os campos por estarem tanto tempo adormecidas. Certamente os maiores problemas da sociedade não vão ser solucionados até que uma atmosfera igualitária que utilize as totais energias criativas roubadas que existem entre todos homens e mulheres.

Trabalhos de Mulheres Compositoras: Em Discos (em 1970)       

Ballou, Esther Williamson – Prelude and Allegro(1965). Adler, Vienna Orchestra CRI 115.

Bauer, Marion – Suite for Strings (1940): Prelude and fugue (1948). Adler, Vienna Orchestra CRI 101.

Beach. Mrs. H.H.A.– Improvisations for Piano. Rogers. Dorian 1006.

Boulanger, Lili – Music of Lili Boluanger. Markevitch, Orchestre Lamoureux. Everest 3059.

Crawford (Seeger), Ruth – Quartet (1931) Amati Quartet. Columbia CMS-6142.

  • Study in Mixed Accents; Nine Preludes for Piano (1926). Bloch. CRI S-247.
  • Suite for Wind Quintet. Lark Quintet. CRI S-249.

Daniels, Mabel – Deep Forest (1931). Strickland, Tokyo Imperial Philharmonic, CRl 145.

Diemer, Emma Lou – Toccata for Flute Chorus. Armstrong Flute Ensemble. Golden Crest S·4088

Dillon, Fannie Charles – From the Chinese. Andrews. Dorian 1014.

Dworkin, Judith – Maurice ( 1955). Randolph Singers. CRI 1020.

Fine, Vivian – Alcestis (Ballet Music) (1960). Strickland, Tokyo Imperial Philharmonic. CRI 145.

  • Concertante for Piano and Orchestra ( 1944). Honstro. Watanabe. Japan Philharmonic. CRI 135.
  • Sinfonia and Fugato for Piano (1963). Helos. RCA LSC-7042.

Gideon, Miriam – How Goodly Are Thy Tents (Psalm 84) (1947). Weisgall, Chizuk Amuno Congregation Choral Society of Baltimore. Westminster 9634.

  • Lyric Pieces for Strings (1941). Strickland. Tokyo Imperial Philharmonic. CRI 170.
  • Suite No. 3 for Piano (1963). Helps. RCA LSC-7042.
  • Symphonia Brevis (1953). Monod. Zurich Radio Orchestra CRI 128.

Glanville-Hicks, Peggy – Nausicaa (Selections) (1961). Stratas, Modenos, Ruhl. Steffan. Surinach, Athens Symphony Orchestra. CRI 175.

  • Sonata for Harp ( 1953). Zabaleta. Counterpoint/ Esoteric 5523 .
  • Transposed Heads (1953). Nossman, Harlan, Picket, Bombard. Kentucky Opera Association, Louisville Orchestra. Two Discs, Louisville 545·6.

Howe, Mary – Castellana for Two Pianos and Orchestra (1935). Dougherty. Ruzicka, Strickland, Vienna Orchestra.CRI 124.

  • Spring Pastoral (1936). Strickland. Tokyo Imperial Philharmonic:. CRI 14
  • Stars (1937); Sand ( 1928). Strickland, Orchestra. CRI 103.

Ivey, Jean Eichelberger – Pinball (1965). Electronic. Folkways 33436.

Jolas, Betsy – Quatuor II. Mesplé, French Trio. Angel S-26655.

La Guerre, Elisabeth J. De – Harpsichord Pieces. Dart. Oiseau·Lyre 50183.

Lutyens, Elisabeth – Moret, Op. 27. Aldis Chorale. Argo 5426.

  • Quartet. Op. 25 (1952): Wind Quintet: Five Bagatelles. Dartington Quartet, Leonardo Wind Quintet. Argo 5425.
  • Quicunx, Manning, Howells, Procter, Nendick, Shirley-Quirk. BBC Symphony. Argo ZRG-622.

Maconchy, Elisabeth – Quartet No. 5 (1948). Allegri Quartet, Argo (5329).

Mamlok, Ursula – Variations for Solo Flute. Baron. CRI 212.

Oliveros, Pauline – Outline, for flute, Percussion and String Bass (An Improvisation Chart) (1962). N. and B. Turetsky, George, Nonesuch 7 1237.

  • Sound Patterns (1962). Lucier, Brandeis University Chamber Chorus. Odyssey 32160156.
  • I of IV ( 1966). Electronic. Odyssey 32160160

Perry, Julia – Homunculus C. F., for 10 Percussionists ( 1960). Price, Manhattan Percussion Ensemble CRI S·252.

  • Short Piece for Orchestra (1952). Strickland, Tokyo Imperial Philharmonic. CRI 145.
  • Stubat Mater (1951). Strickland, Japan Philharmonic. CRI 133.

Schumann, Clara – Trio in G minor. Mannes. Gimpel. Silva. Decca 9555.

Smiley, Pril – Eclipse (1967). Electronic. Turnabout 34301.

Talma, Louise – Corona(Holy Sonnets of John Donne). Arks. Dorian Chorus. CRI 187.

Toccata for Orchestra (1944). Strickland, Imperial Tokyo Philharmonic. CRI 145.

Warren, Elinor Remick – Abram in Egypt (1961); Suite for Orchestra (1954). Lewis . Wagner, London Philharmonic, Wagner Chorale, Strickland, Oslo Philharmonic. CRI 172.

White, Ruth – Trumps from the Tarot Cards(1968): Pinions (1968). Electronic. Limelight 86058.

 

*nota de tradução: O título original é “And Don’t call them ‘Lady’ Composers, na tradução optamos por traduzir como ‘mulher’ compositora ao invés de dama, por ser um termo utilizado frequentemente no brasil para ser referir a compositoras de um modo geral, em português existe uma versão feminina para a palavra compositor, compositora, embora as ferramentas de correção automática não reconheçam, equivalente ao termo que Pauline reivindicava, composeress, já palavra dama não tem um sentido semelhante ao empregado em inglês para a palavra Lady.

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Ata da 4ª Reunião 28/03/2016

Tópicos abordados

  • Leitura da pauta semanal
  • Discussão sobre a resposta da ANPPOM à carta enviada pela Sonora à lista. Concluiu-se que a Diretoria da ANPPOM foi receptiva e mostrou-se aberta à proposta do fornecimento de espaço e organização de atividades para crianças filhas e filhos de participantes em congressos futuros, visando incluir mais mães pesquisadoras, mas que a mesma entendeu tratar-se esta empreitada de uma atividade onerosa, que demandaria a contratação de equipes especializadas em locais propícios para este fim. Este ponto de vista divergiu um pouco do que xs membrxs da Sonora tinham em mente a priori, que seria uma atividade paralela ao evento, com a possível colaboração dos pesquisadores da área de Educação Musical, bem como voluntários de modo geral, no mesmo espaço físico do congresso, tornando o mesmo mais interativo e transformando o ambiente acadêmico de forma positiva. Deu-se início à elaboração de uma carta-resposta da Sonora à equipe diretora da ANPPOM.
  • Discussão sobre a carta de repúdio, locais para onde mandar. Foi sugerido mandar à rede Não Cala, CMU News, entre outros, além de colocar no site. Também houve acordo em relação à não divulgação da pessoa que atacou a Sonora como um todo, para não dar-lhe mais espaço.

GE – Leitura e discussão de textos

  • Foi lido o textoA Tirania Das Organizações Sem Estruturas”, de Jo Freeman. O texto data de 1970.
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Ata da 3ª Reunião (interna) 21/03/2016

Tópicos abordados

  • Pertinência de uma carta de repúdio sobre ataque ao chat do youtube realizado durante a 1ª reunião de 2016.
  • Decisão de enviar carta sobre espaços para filhos de participantes da ANPPOM para grupo de discussões da entidade, bem como para instituições como ABEM e ABRAPEM.
  • Decisão de contatar diretoria da ANPPOM para propor apresentação da Sonora durante o congresso, a ocorrer em agosto de 2016, questionando também a possibilidade da rede realizar oficina paralela em espaços disponíveis durante o evento.

 

Trabalhos realizados

  • Confecção de calendário google no site da Sonora, divulgando eventos do 1º semestre mencionados no grupo gmail da rede.
  • Redação de carta de repúdio à agressão sofrida na 1ª reunião da Sonora em 2016. O documento foi encaminhado à lista de discussão do gmail para revisões e edição final, a ser postada no site.
  • Criação de usuários independentes para editar e postar no site da Sonora, com intuito de dividir tarefas.

 

Entrevista concedida

  • Foi concedida uma entrevista à jornalista Larissa, da Casper Líbero, sobre “onde estão as mulheres na música”, atividades da Sonora e como a rede encara e lida com as questões de gênero no ambiente musical e artístico.