Flora Holderbaum é violinista, compositora e performer da voz. É co-editora da revista linda desde 2015. Bacharel em Artes Visuais-Pintura e Gravura (2006) e em Música-Violino (2014), ambos pela UDESC; Mestre em Música -Teoria Estética e Criação pela UFPR (2014), sob orientação de Daniel Quaranta. Integra o NuSom (Núcleo de Pesquisas em Sonologia da USP), onde faz doutorado em Música-Processos de Criação Musical-Sonologia, sob a orientação de Fernando Iazzetta. Trabalha com processos criativos em torno de poéticas vocais e instrumentais, com ênfase na Poesia Sonora e suas intersecções com a Música Experimental e suportes eletrônicos. Sua pesquisa atual gravita em torno de uma cartografia das emergências vocais a partir da relação entre as formações discursivas, na literatura dos estudos da voz, e não-discursivas, nos processos composicionais dentro do repertório vocal contemporâneo.
04/12/2017, segunda-feira às 17h30
Haverá transmissão. Link será postado neste evento no dia.
CMU-ECA-USP – sala 12
Vozes é um espaço que recebe artistas mulheres para apresentarem e falarem sobre seus trabalhos. Com uma dinâmica mais informal, é um espaço aberto para a conversa e para o compartilhamento de experiências
A edição de Vozes de hoje recebeu a compositora e pesquisadora Thais Montanari. Thais se graduou na UFMG, fez Mestrado na Universidade de Montreal e está fazendo Doutorado na mesma instituição, no Canadá. Seu projeto envolve outras mulheres e outras vertentes artísticas. Trabalha, entre outros, com questões de gênero na música, pensando a relação entre espaços públicos e mulheres na sociedade.
Durante a graduação, Thaís formou um grupo para trabalhar composição. No Mestrado, ela passou a se interessar mais por trabalhos engajados, querendo atuar artisticamente em prol de causas sociais. Aliar imagens visuais, como em documentários, a sons e ao fazer musical. Sair da performance tradicional mais distante do público. Foram 2 anos de muito questionamento.
No Doutorado, ela tem trabalhado em torno de 4 ideias:
Criação conjunta com intérpretes, num espaço em que possam discutir também questões não musicais.
Como buscar espaços acessíveis para entrar em contato com públicos mais diversificados, que não necessariamente frequentam salas de concerto, museus, etc.
Projetor interdisciplinares. Conhecer dispositivos capazes de servir a músicos e artistas de outras áreas.
Notações possíveis para ilustrar as ideias musicais.
Obras
“Ser Ruído”. Foi composta durante o Bacharelado em composição. Para esta peça Thaís gravou sons da cidade (Belo Horizonte) e integrou com sons de instrumentos acústicos tocados por um grupo formado com colegas. Foi produzido um vídeo, fragmentado, que projetava um texto da compositora, bem como outras imagens visuais, em vários canais. A obra foi apresentada num espaço de Belo Horizonte, em que o público ficava em volta e havia interação entre o mesmo e os e as musicistas.
“Plug”. Utiliza Facebook, youtube, celular e outras tecnologias atuais. Estas atuam junto à performance de instrumentos acústicos.
Projeto atual: “Eu não sou um espaço público”. Envolve 7 musicistas, cada uma criando um solo de 6 a 7 minutos. Destas 7 performances e personagens ela pretende fazer uma só obra.
Thaís quer discutir a questão da mulher ser vista como espaço público, a vulnerabilidade, o fácil acesso e o desrespeito das pessoas em relação à mulher. Ela tem estudado muito os espaços públicos, o que a faz pensar no modo capitalista com que os espaços são pensados.
Processos
Para a criação de “Eu não sou um espaço público”, Thais discutiu com as musicistas de seu grupo de trabalho a ideia de ser personagem em diversas situações do cotidiano. Como ela está em Montreal, as experiências narradas pelas integrantes são muito distantes entre si e muito diversas da experiência que ela conheceu no Brasil. Há um certo choque cultural. Juntar estas 7 pessoas tão diferentes é um dos desafios do trabalho. Há também uma cineasta trabalhando no projeto.
A escolha das intérpretes e da cineasta se deu durante o Doutorado, em disciplinas destinadas a integrar compositores e intérpretes. A dificuldade dela foi se deparar com outros interesses, outras ideias, o que também gerou crises ocasionais que tiveram que ser trabalhadas e amadurecidas.
O contato compositora e intérpretes se deu sem hierarquia entre as partes. Thaís respeita muito a relação de instrumentistas com seus instrumentos e acatou as ideias das musicistas em relação a isto. Segundo ela, todas são muito criativas e não ficaram esperando comandos para atuar. A obra tem muito da personalidade de cada uma.
Além das filmagens das intérpretes tocando e improvisando, Thais também utiliza outras imagens delas em lugares diversos, espaços públicos. Ela também filma alguns espaços sem atores. Tudo isso será mixado e editado para um vídeo final. O processo é de colagem, e também de reciclagem. A compositora faz uma espécie de orquestração de todas as ideias trazidas pelas intérpretes. A cineasta escolhe os enquadramentos e pontos ligados à projeção. A obra discute a atuação da mulher em vários espaços públicos, mesmo os mais “privados” como as redes sociais, as lojas, etc.
Notação
Thais elabora guias, que ela chama de partitura-texto, em suas criações em geral. Nestas partituras coloca itens que as (os) intérpretes devem pensar e discutir para elaborar suas peças. No caso da obra “Eu não sou um espaço público”, Thais comenta que o clima de Montreal interfere nas decisões, pois pouco se pode atuar em espaços abertos nas estações mais frias. Alguns itens do “guia” para esta obra são provocações para as musicistas, como como elas se sentiriam em determinados lugares, situações, etc.
Não há partituras individuais, há mais um registro geral da compositora, em que ela “transcreve” alguns dos procedimentos feitos pelas musicistas.
Compositora e intérprete
Thais participa de suas peças, também, como intérprete. Isto faz com que seja um pouco difícil que suas peças sejam reproduzidas na sua ausência. Ela atua como criadora, mas também como motor propulsor de suas obras. Gosta de desconstruir a ideia de compositor (a) que tolhe os (as) intérpretes, mesmo porque ela nem sempre tem ideias a priori na composição.
Esta visão de criador (a) que cria uma partitura estanque foi um dos embates que ela encontrou durante o curso de graduação. Por outro lado, concorda que muitos intérpretes queiram este direcionamento. Para isso, ela procura trabalhar com musicistas abertos (as) a este tipo e proposta.
Doutorado no Canadá
Como resultado de sua pesquisa de Doutorado, Thais deve escrever o processo de criação, gravação e registro de seu projeto. Neste momento ela está trabalhando com uma musicóloga para embasar esta experiência.
Alguns tópicos de sua pesquisa, como a discussão da necessidade de espaços específicos para a música acadêmica, geraram polêmica no âmbito da universidade. Por esta razão, ela e seu orientador procuraram uma co-orientação na área musicológica.
Outros projetos
Thais quer também discutir musicalmente a atuação da mídia na formação de cabeças pela repetição exaustiva de certos assuntos e pontos de vista. Ela apresentou uma versão de seu novo trabalho, “Brain washed brain dead” em Belo Horizonte, com 2 músicos que ela já conhecia, e em Bogotá, com duas musicistas que ela conheceu lá.
Em Bogotá ela achou muito positiva a oportunidade de, motivada pela música, poder discutir assuntos que ela estava interessada, como o plebiscito que tinha ocorrido pouco tempo antes de sua chegada à Colômbia. Ela mostrou um trecho do vídeo deste trabalho.
Influências
John Cage, pela liberdade e coragem. Luc Ferrari, pelos procedimentos de unir sons e ruídos. Mas, mais do que pessoas, Thais tem se interessado por instalações sonoras e por improvisações.
Para sobreviver
A compositora tem trabalhado em montagens de festivais, tanto na logística como na montagem de peças. Ela se deparou com a realidade de que no Brasil, as mulheres não penetram estes lugares, isto não é uma opção.
Ela percebe que há barreiras de gênero nestas profissões, o que acaba gerando uma dependência das compositoras e intérpretes em relação às atividades técnicas da música. Thais se encontrou nestas atividades, o que lhe era impossível quando morava no Brasil. Ela dava aulas para crianças, embora não pensasse em fazer isso profissionalmente por muito mais tempo.
Dilemas da profissão
Determinadas dificuldades às vezes colocam Thais em crise sobre a criação musical. O contato com intérpretes, que ela preza, a coloca, às vezes, em uma situação de dependência que dificulta a execução de certos projetos. Em relação à dança ou outras artes, ela acha que na música as coisas são mais difíceis de acontecer. Ela encontra mais resistência por parte de intérpretes do que ela pensa que exista em outras áreas.
Na sua concepção, a eletrônica não substitui o contato com musicistas.
Sonora – músicas e feminismos convida para um encontro com a compositora mineira residente em Montreal, Thais Montanari. Nessa realização de mais um encontro da série Vozes, Thais vai compartilhar seus trabalhos e projetos. Atualmente Thais faz doutorado em composição musical e criação sonora na Universidade de Montreal. Sua pesquisa procura sugerir formas de compor peças que estimulem artistas de todos os meios a colaborarem para transmitir questões sociais atuais através de performances em espaços outros que a tradicional sala de concerto. É uma compositora que está frequentemente comprometida com a produção e a difusão de projetos artísticos contemporâneos e socialmente engajados. Atualmente desenvolve um trabalhando com uma cinegrafista e sete musicistas em um projeto que tem como objetivo destacar a relação entre a noção de espaço público e as mulheres em nossa sociedade.
27/11/2017, segunda-feira às 17h30
Haverá transmissão. Link será postado neste evento no dia.
CMU-ECA-USP – sala 12
Vozes é um espaço que recebe artistas mulheres para apresentarem e falarem sobre seus trabalhos. Com uma dinâmica mais informal, é um espaço aberto para a conversa e para o compartilhamento de experiências
A reunião de hoje foi dedicada a mais uma edição da Serie Vozes, desta vez com a flautista alemã Sylvia Hinz. Esta edição teve o apoio do grupo Escritas e Invenções Musicais, além do Núcleo de Pesquisas em Sonologia.
Sylvia é artista residente em Berlim e começou o evento falando e mostrando seus instrumentos, uma coleção de flautas de diversos tamanhos e sonoridades. A mais conhecida é a recorder, ou flauta doce, usada – ou, como ela diz, mal-usada – na iniciação musical em escolas. Ela mostrou também algumas técnicas estendidas que podem ser aplicadas a todas as variantes do instrumento.
Sylvia disse que dá preferência a tocar música contemporânea, especialmente criada por mulheres. Em sua vinda ao Brasil, fará vários concertos intitulados “ Infelizmente desconhecidas”, em que mostra parte deste repertório. Ela não vê razão em tocar obras que outras (os) flautistas já interpretaram centenas de vezes antes dela. Em vez disso, acha interessante tocar obras atuais, que falam de questões do momento em que vivemos. Da mesma forma ela não vê propósito em divulgar obras de homens, que são divulgados o tempo todo em todo lugar.
Das compositoras
Entre as compositoras interpretadas por Sylvia Hinz está a romena Violeta Dinescu. Em partituras como “Gräser”, Sylvia reconhece um forte apelo visual e gráfico. A compositora não costuma enviar indicações específicas para decifrar sua escrita. Antes, prefere que a (o) intérprete crie suas próprias soluções e versões da peça a partir da partitura. No caso de sua peça para Trio, a flautista pensa que é interessante que o grupo pense em soluções comuns para os problemas apresentados. Outra abordagem possível é não adotar um padrão para as três partituras deliberadamente.
Nicoleta Chatzopoulou, grega nascida em 1976, também faz parte do rol de criadoras mostradas por Sylvia. Na peça apresentada, “Distant Fields”, a intérprete é chamada a dar contribuições. A compositora lhe cede uma cópia de sua gravação com sons eletrônicos e a flautista toca com este material. Sylvia acha esta peça particularmente importante justamente por ser uma mulher trabalhando com eletrônica, e conta que, na estreia, havia também uma mulher operando a mesa de som. Segundo a intérprete, os homens que estavam no evento se incomodaram por ser dispensados de trabalhar como engenheiros de som para ambas.
Sylvia tocou ainda a peça “Birds”, da canadense Clio Montrey, e mostrou um vídeo de sua performance com a artista plástica Carola Czempik. Com esta última ela tem trabalhado indo a seu ateliê e escolhendo pinturas sobre as quais improvisa, grava, interage. Sua improvisação é influenciada pelas imagens e vice-versa, pois a artista plástica também pinta de acordo com o que ouve em tempo real.
Sylvia é autora de algumas improvisações que viraram peças eletroacústicas, como “Anonyma”. Esta é uma obra homenagem para as mulheres guerreiras que oferecem resistência ao grupo armado ISIS, no Oriente Médio.
Ela também trabalha com as produtoras do site Female Pressure.
De onde vem o interesse pelas compositoras
O interesse de Sylvia pelas mulheres criadoras se deu na adolescência, quando notou que o conservatório em que estudava só lhe apresentava compositores homens. Ela decidiu ir atrás de músicas feitas por mulheres, mas diz que não é uma tarefa fácil pelo medo de muitas delas de divulgar seus contatos ou endereços eletrônicos. Encontrar partituras antigas é ainda, de acordo com ela, mais difícil. Há que ir pesquisar em bibliotecas de universidades de seus países de origem, o que torna cara a empreitada.
Relacionamento com as autoras
Em geral Sylvia diz ter uma boa relação com as compositoras. Porém, de vez em quando pode dar mais trabalho. Um dos problemas é que a maioria das autoras compõe ao piano e transpõe para a flauta, o que dificulta para a intérprete. Frequentemente elas colocam sons muito agudos ou muito graves, abusam das dinâmicas ppp ou fff e outros procedimentos impossíveis de realizar. A flautista, porém, prefere trabalhar com estas peças do que com novas versões de peças antigas, “neobarrocas”, ou “neorrenascentista”. Por mais esforço que demande, ela opta por desvendar novas produções.
Sonora: músicas e feminismos convida para o concerto-palestra com a flautista residente em Berlim Sylvia Hinz. Ela é especializada em música contemporânea e improvisação. Nesse encontro, Sylvia vai falar sobre o seu instrumento – flauta doce – e fará a performance de algumas peças, em sua maioria composta por mulheres. Um de seus interesses está em promover o trabalho de mulheres na música a partir de ações de arteativismo que proporcionem a capacitação de mulheres artistas e a conscientização sobre a participação delas na música. Sylvia Hinz vai tratar também da cooperação entre mulheres performers e compositorxs, bem como mostrar partituras, vídeos e descrever seus trabalhos que dialogam com outras formas de arte, como a pintura e a dança, por exemplo. Compositorxs estão convidadxs a trazer suas obras para flauta doce para serem lidas durante o encontro.
Sylvia Hinz é uma das mais reconhecidas e atuantes flautistas dedicadas ao repertório de música contemporânea e improvisação para flauta doce. Ela vem realizando um trabalho amplo de divulgação de mulheres compositoras. Além de suas performances solo, de música de câmara e como solista de orquestra, ela tem se apresentado com formações instrumentais não usuais e colaborado com artistas de outras áreas como a pintura, escultura e literatura.
Renata Roman pesquisa as poéticas do som e escuta. Nesta edição da Série Vozes, ela contou que não escolheu o som, antes, foi escolhida por ele. Sua formação é de atriz. Ela iniciou fazendo radio arte, programas ecléticos e outras atividades. Em 2010 fez uma viagem, na qual teve experiências que mudaram sua percepção da arte e do som. Ela estava em Londres, na Tate Gallery, e, de repente, sua escuta se abriu para os sons das pessoas do local, dos ruídos do ambiente, de tudo. Neste momento ela decidiu gravar estes sons e, a partir daí, gravar os sons do mundo.
Voltando ao Brasil, ela descobriu que pouquíssimas pessoas trabalhavam com esta vertente da música e da arte. Todo seu trabalho é voltado, até hoje, para a reprodução daquele momento de abertura auditiva que a artista viveu na Tate.
A gravação de campo está no centro de seu trabalho. Em 2011 ela criou um mapa sonoro do centro de SP, com ajuda de dois artistas espanhóis. Renata se vê como autodidata e, por esta condição, às vezes demora um pouco para desenvolver técnicas e tomar decisões sobre plataformas e recursos afins. Diz que trabalha com a “precariedade”, pois não conta com recurso externo e utiliza materiais que estão ao seu redor, ou que vai buscar por si mesma.
Renata tirou um ano sabático para experimentar as plataformas, editores, etc. Trabalha com o “Audacity”, apesar de algumas pessoas criticarem este programa. Ela entende que a técnica é importante, mas não é determinante. Se a (o) artista se empenha, dá para se virar.
Obras, processos
Em 2013, Renata foi convidada pela Radia network, para fazer um programa de radio arte na Resonance FM. Ela abordou a temática indígena, que lhe é muito presente e está em suas preocupações. Este programa, intitulado “Native”, foi posteriormente reeditado e está disponível em seu site https://renataroman.tumblr.com/radio . Recentemente a artista Janete El Haouli colocou “Native” na Documenta.
A gravação de “Native” foi feita em Paraty, com um jovem indígena. Ela também gravou manifestações indígenas, trabalhando tudo isso com mixagem. Renata acha que, neste sentido, seu trabalho tem uma intenção política, de chamar atenção para questões como o abandono dos índios e a falta de respeito a seus direitos.
Em “Ornitorrinco”, também disponível no link citado, a inspiração foi a questão Norte-Sul, e os reflexos desta dicotomia no Brasil. Foi composta para a Süden Radio.
Em relação ao seu processo de criação, ela primeiro escolhe um tema. Fica um tempo mergulhando no tema, colhendo material, pesquisando. Renata não pensa no material sonoro a priori, mas sim nos textos, nas temáticas. Conforme ela começa a gravar, as necessidades aparecem e ela vai escolhendo os sons para ilustrar as imagens que lhe vem à mente. Seus processos são solitários.
Ela também recebe gravações de outras pessoas, que guarda para usar no momento oportuno.
Renata faz instalações, um outro trabalho diferente do trabalho de radio. Ela quase nunca reutiliza gravações ou trechos em novas produções. Trabalha com fones de ouvido para ter mais clareza de detalhes, mas depois os retira e faz acertos posteriores.
Renata pensa que radio arte é um radio que perde sua função “utilitarista” no sentido de ser uma subversão, uma anti-narrativa. Como se a radio arte fosse poesia e radio fosse prosa. Radio arte é uma peça feita para radio. Feita por artistas.
Em 2015 ela foi comissionada para o Tsonami International Festival of Sound Art, no Chile. Nesta obra a artista não colocou sua própria voz, ela quis dar voz aos que não a tem, aos não ouvidos. A peça se chama “Sampa”. Renata quis mostrar a diversidade de SP, a ocupação do espaço urbano, sem falar, sem ser muito discursiva. Ela fez gravações em bairros e localidades diferentes da cidade. A chamada do festival era Audioficcion: Imaginación sónica y especulación urbana.
Renata gravava com gravador e protetor de vento, mas chamava atenção, as pessoas perguntavam, colocavam a mão no gravador e às vezes estragavam a possibilidade de uma coleta de materiais. Agora ela grava com um Binaural, que é discreto e as pessoas não identificam com um gravador. O problema aí é pessoal, pois às vezes Renata pensa se tem o direito de gravar ao ar livre, indistintamente, com as pessoas desatentas para o fato. Ela imagina como as pessoas sentiriam o resultado da obra. De qualquer forma ela guarda tudo num banco de dados, para peneirar depois.
A artista conta que tem um prazer imenso em escutar o mundo. Sua atenção, na gravação de campo, é total e faz parte do processo de criação. Raramente ela descobre sons ou sensações num segundo momento, depois de terminada a gravação. Isso ocorre simultaneamente.
E a parte prática? É possível sobreviver com a arte sonora?
Renata diz que não. Ela vive da educação, dando oficinas de teatro, nos quais insere a escuta, os processos de criação. Mas não dá para ganhar dinheiro com a arte sonora.
A obra “404 not found” é política. Foi criada em 2014 e usa uma cadeira e uma luz de interrogatório. Outra obra, “Memória da Casa”, trata de cada cômodo de uma casa, imaginando o que aconteceria naqueles espaços. Foi apresentada em 2011. É uma obra complicada, porque depende de ter uma casa vazia para que se possa ouvir os sons arquetípicos de uma casa. Renata levou este projeto para a Argentina, a convite de um artista que encontrou uma casa vazia lá. Este projeto deve ser apresentado 8 vezes e depois abandonado (questões pessoais da artista). Começou sua trajetória em 2012 e a última vez que foi apresentado data de 2015.
Há uma instalação chamada “Euspetáculo”.
Música experimental
A mulher na cena experimental usa muito a voz. Por esta razão, Renata quis abordar este tipo de criação usando outros instrumentos. Ela usa as gravações de campo também para compor música experimental. Ela se questionou sobre a diferença entre o radio e a música experimental e chegou à conclusão de que o radio arte é muito mais livre do que a música.
A artista foi para a prática antes de pensar nela. Por isso acha complicado lidar com a subjetividade inerente à composição de música experimental. Para ela, quando pensa em música, pensa mais nos sons do que nos conceitos. Ela crê que a radio arte lhe dá mais possibilidades.
Na peça “Melissa”, feita para o NME com inspiração no chá de melissa, ela usou o clarinete. Ela mesma toca e improvisa ao instrumento. Ela gosta de lidar com o desconforto, tentar coisas novas, instrumentos e procedimentos.
Também para o NME ela compôs “Pytang”. Aqui usou mais gravações de campo. Renata tem também um CD lançado pelo Seminal, o Oye, com gravações de campo em SP. Ela tem também material gravado na Praça da Sé, num projeto chamado “Marco Zero”.
Renata esteve como residente em Cuba, onde também realizou gravações de campo. Ela tem ido várias vezes.
Influências
A artista acha difícil responder a esta pergunta. São muitas referências e, ao mesmo tempo, nenhuma em especial. É complicado não ser injusta ao apontar referências, pois não é possível detectar exatamente quem influenciou qual parte do trabalho ou da trajetória.
Questões de gênero – Dissonantes
As questões de gênero motivaram a criação do projeto “Dissonantes”, uma serie de concertos de mulheres com a parceira Natacha Maurer. Ele vem para tentar responder à pergunta “Onde estão as mulhres na cena experimental? “. Nasceu em 2015. O Dissonantes pensa na ocupação por mulheres da cena da música experimental, seja no palco, na plateia, na produção ou na engenharia de som.
Renata não sente hostilidade em relação à mulher na cena musical. Sente uma indiferença, o que talvez seja um tipo de hostilidade. Existe um discurso de negação desta problemática, velado. Ela diz que precisamos abrir à força os espaços. Não podemos nos intimidar pelo fato de que as mulheres estão sendo mais evidenciadas para não “pegar mal”.
Projetos futuros
Renata está trabalhando em peças radiofônicas, continua com os mapas sonoros e tem outras ideias. O tempo de suas criações pode ser mais longo ou mais curto. Já teve ocasiões em que o prazo se esgotou e ela teve que encarar 15 ou 16 horas seguidas para entregar.
Sonora convida para mais uma edição da série Vozes na próxima segunda-feira, 06/11/2017, às 17h30. Nesse encontro receberemos a artista sonora Renata Roman.
Renata Roman pesquisa as poéticas do som e escuta. Seu trabalho transita entre radioarte, instalações, música experimental e cartografia sonora.
Participou de várias mostras e festivais no Brasil e exterior, tais como FILE Hypersonica 2012, 30ª Bienal Internacional de Artes de São Paulo (Mobile Radio),
Tsonami Córdoba (AR), Echoes/Osso (PT), Hilltown New Music (UK), Süden Radio (IT/DE), DubellRadio Festival (SE), Galeria Perenne (AR),
Radiophrenia (UK), Festival Internacional de Arte Sonoro 2015 (CH), entre outros.
Criou e mantém o mapa sonoro de São Paulo (SP SoundMap) e possui gravações de campo em mapas sonoros colaborativos: Audiomapa (CL) e MoMA (USA).
Visões “Música e Mulher na América Latina: Relatos sobre o III Colóquio Ibermúsicas Chile” por Eliana Monteiro da Silva
No dia 02/10/2017, tive a alegria de participar da série Visões para contar minha experiência como convidada e representante do Brasil no III Coloquio Ibermúsicas Chile, em Santiago. Comemorando o centenário da cantautora chilena Violeta Parra, o colóquio abordou a temática “Música y mujer em Iberoamérica – haciendo música desde la condición de género”.
Entre as questões colocadas, discutiu-se “as dificuldades e os estereótipos que a mulher tem enfrentado ao querer se profissionalizar no campo da música; de que maneira o entorno social, cultural e político tem atuado para criar ou resolver tais dificuldades; como a mulher tem se situado no cânone masculinizante da composição, da música erudita ao rock”; entre outros. Participaram do debate representantes dos 11 países que compõem o Ibermúsicas, entre intérpretes, compositoras, musicólogas, antropólogas e sociólogas – além do organizador e musicólogo Juan Pablo González e do diretor do Ibermúsicas José Julio Díaz Infante. Somente o Chile contava com mais de uma representante.
Para contar sobre esta experiência, dividi meu relato em duas partes, que são:
Parte 1 – Da minha participação no III Colóquio Ibermúsicas Chile
Parte 2 – Das demais participantes latino-americanas
Na parte 1, contei que minha conferência se intitulou “Compositoras brasileiras no contexto da música erudita: uma história de luta contra a invisibilidade”. O objetivo foi mostrar a atuação das compositoras brasileiras na música erudita e sua luta por reconhecimento e visibilidade.
Comecei apontando que, do meu lugar de fala como intérprete, em algum momento constatei a negação da produção destas compositoras pelos estabelecimentos de ensino de música e pelo mercado de concertos e gravações, uma vez que há muito tempo estudava e divulgava obras variadas sem jamais ter tocado uma só composição feita por mulher. Isto me alertou para a naturalização das questões de gênero no ensino do instrumento, assim como na teoria musical, análise, etc.
Conforme me inseri no ramo da pesquisa acadêmica fui descobrindo compositoras incríveis, que passei a divulgar em recitais do meu duo dedicado a este fim com a cantora Clarissa Cabral, o Duo Ouvir Estrelas, em artigos, capítulos de livros e no livro “Clara Schumann: compositora x mulher de compositor”. Fruto desta investigação são as 20 compositoras brasileiras que mostrei no colóquio, nascidas entre 1847 e 1987.
Estas guerreiras, apesar do ambiente adverso, participaram da construção de uma música com características próprias do Brasil e, consequentemente, da América Latina. São elas: Chiquinha Gonzaga, Branca Bilhar, Dinorá de Carvalho, Helza Cameu, Cacilda Borges Barbosa, Eunice Katunda, Lina Pires de Campos, Esther Scliar, Kilza Setti, Maria Helena Rosas Fernandes, Jocy de Oliveira, Marisa Rezende, Vania Dantas Leite, Nilceia Baroncelli, Ilza Nogueira, Denise Garcia, Silvia Berg, Silvia de Lucca, Valéria Bonafé e Patricia de Carli. Poderia mostrar muitas mais, não fosse o tempo restrito. O recorte que escolhi abarcou a maior quantidade possível de estilos, técnicas, locais de nascimento e instrumentos utilizados.
A última parte da minha fala no colóquio foi dedicada a ações afirmativas empenhadas em mudar o cenário conservador e machista da música erudita no Brasil, entre as quais destaquei as atividades realizadas pela nossa rede “Sonora – músicas e feminismos”.
A participação do violonista Cauã Canilha tocando “Ponteio e Tocattina” de Lina Pires de Campos deu um charme especial a esta edição do Visões!
Sobre as demais participantes da América Latina, que relatei na Parte 2, colocarei aqui um breve resumo de suas conferências:
Romina Dezillio (Argentina) – “Las primeras compositoras profesionales de música académica en argentina: logros, conquistas y desafíos de una profesión masculina”
Em seu trabalho, Romina apresentou algumas das primeiras compositoras eruditas que se profissionalizaram na Argentina, nascidas entre o fim do século XIX e início do XX, e que atingiram certa visibilidade na década de 1930. A autora discutiu a recepção de suas obras pela imprensa, que lhes atribuiu como qualidade a “sinceridade” e conferiu a condição de “adorno” às suas práticas musicais.
Yael Bitrán Goren (México) – “De la invisibilización al canon: mujeresen la academia, el rock y la sala de concierto en méxico en la segunda mitad del siglo XX”
Yael enfocou a presença sólida de mulheres na música de concerto e no rock mexicano da segunda metade do século XX, apesar do caráter machista inerente a estes ambientes artísticos. Por meio de entrevistas, buscou responder às perguntas: em que medida foram superadas as dificuldades das mulheres em profissões eminentemente masculinas como a composição destas vertentes musicais? Como são vistas estas compositoras frente ao cânone masculino? “
Soledad Castro Lazaro (Uruguai) – “Murgas de mujeres (estilo uruguayo) en América Latina”
A autora falou sobre a murga uruguaia, manifestação musical e carnavalesca na qual, em mais de cem anos de historia, somente quatro grupos de mulheres participaram do carnaval oficial. Por meio de um breve recorrido histórico da murga uruguaia com una perspectiva de gênero, Soledad questionou as razoes da invisibilização e exclusão da mulher durante todo o século XX.
Ana María Arango Melo (Colômbia) – “Entre arrullos, chumbes y sanpachitos. Cuidados de la primera infancia y estéticas sonoras en los afrochocoanos de Colombia”
A conferencia de Ana Maria pretendeu visibilizar uma serie de praticas e rituais das mães e avós do Pacifico Colombiano em torno das crianças em sua primeira infância. Ela mostrou que a forma como estas concebem os corpos, os sons e o movimento denota uma enorme relação destas praticas e estéticas com a vida musical desta população, além de apontar sua visão de mundo.
Susan Campos Fonseca (Costa Rica) – “Artistas electrónicas en Costa Rica: un estudio de filosofía tecnológica feminista”
Susan analisou os estudos dedicados às compositoras, artistas sonoras e cantautoras na Costa Rica, procurando evidenciar como a historia da música ocidental, a historia da música do século XX e a historia da música latino-americana constroem narrativas que se introduzem na historiografia costarricense. Ela apontou que tais narrativas se refletem na formação em composição musical e na educação básica em geral, perpetuando métodos herdados da filosofia e da historia eurocêntrica, com suas ideias de civilização, cultura, obra, autor/a e cânone. Segundo a pesquisadora, é preciso descolonizar a pesquisa e repensar as propostas metodológicas e teóricas, sob risco de mantermos os mesmos paradigmas que indicam o que merece ser estudado e o que não.
Lorena Valdebenito (Chile) – “Creación musical femenina en Chile: canon, estereotipos y autorias”
Lorena se propôs a rever a maneira como a academia tem abordado a criação musical feminina no Chile, enfocando, principalmente, o surgimento da cantautora como figura chave na formação de cânones na cena musical popular que se inicia no final dos anos ‘90 e inicio de 2000.
Karla Lamboglia (Panamá) – “La mujer en la música panameña: un retrato contemporâneo”
A autora refletiu sobre a situação atual da mulher no ambiente musical panamenho, segundo diferentes estilos e manifestações. Ela apontou a condição particular do Panamá, pela convivência de seus habitantes nativos com imigrantes norte-americanos do sexo masculino que vão trabalhar na zona do canal. Em vista deste cenário, evidenciou as dificuldades de fazer música sendo mulher, mas, também, buscou apontar soluções possíveis e sustentáveis para tornar o panorama musical mais balanceado e equitativo.
Romy Martínez (Paraguai) – “La mujer paraguaya: roles y desafíos como profesional de la música”
Romy buscou ilustrar alguns dos papéis desempenhados por artistas paraguaias como profissionais da música na atualidade, por meio de biografias e relatos de mulheres nascidas entre as décadas de 60 e 80 que atuam dentro ou fora de seu país como instrumentistas, cantoras, compositoras e/ou docentes. A própria autora, que é cantora e pesquisadora, participa dos relatos.
Sarah D. Yrivarren (Peru) –“Construcción y representación de discursos de femineidad en la escena “metalera” de Lima”
Sarah pesquisa os conflitos que afrontam mulheres em comunidades eminentemente masculinas como a metaleira, corroborados pelo formato conservador da sociedade peruana. Sua investigação agrega observação em bares “metal”, concertos, shows e feiras de discos, traçando um perfil das formas de organização e comunicação destes grupos.
Ailer Pérez Gómez (Cuba) – “Mujer y música en Cuba: caminos profesionales”
De acordo com Ailer, o enfoque de gênero não é ainda uma perspectiva sistemática na pesquisa sobre música em Cuba, embora tenha crescido nos últimos quinze anos com a crescente inserção de mulheres em trabalhos associados à música. Esta prática vem sendo mediada pelas particularidades do sistema político-social vigente no país, que tem fomentado um espaço de formação profissional em música de alto nível, e, em essência, inclusivo, tanto no âmbito da formação quanto do desempenho profissional.
Daniela Fugellie (Chile) – “Leni Alexander (1924-2005) o la migración perpetua”
Daniela falou sobre a perspectiva de gênero na imigração para o Chile no século XX, enfocando a compositora Leni Alexander, nascida na Alemanha e residente no Chile desde os 15 anos. A autora ressaltou a dificuldade de se obter dados sobre casos como este, ao qual se soma o fato de que Leni era judia, de esquerda e fazia parte da comunidade musical de vanguarda. Entretanto, foi uma das poucas compositoras a se destacar na década de 1950.
Marisol Facuse (Chile) – “Música, género e inmigración: carreras musicales de mujeres inmigrantes latinoamericanas en Chile”
Marisol também investiga as comunidades imigrantes no Chile, com atenção especial ao período do retorno à democracia ao país após décadas de ditadura, no século XX. A autora procurou compreender a influência das práticas musicais nas identidades e sociabilidades, promovendo processos de mestiçagem cultural.
Algumas conclusões:
A convivência intensa de 4 dias de colóquio fez das participantes um grupo carregado de intimidade e cumplicidade. O fato de que voltaríamos para nossos países de origem nos deu leveza e liberdade para que nos abríssemos sem reservas e externássemos nossas opiniões de forma produtiva.
O sentimento de ser mulher e latino-americana também nos fez, de certo modo, um pouco subversivas. Isto ficou mais evidente quando participamos como ouvintes do Colóquio Violeta Parra – que incluía convidadas e convidados do chamado Primeiro Mundo, ou, os ”colonizadores”.
Outras conclusões (não tão boas):
O fato de estarmos entre mulheres para falar da exclusão da mulher na música (sendo que o convite não se restringia ao gênero feminino) evidenciou a questão do desinteresse dos homens em pesquisar o assunto.
Por mais que os organizadores – homens – se empenhassem em demonstrar o contrário, não houve espaço nem tempo para darmos qualquer encaminhamento às questões pautadas durante o evento.
O primeiro momento musical realizado no intervalo das palestras foi apresentado por um grupo de 4 folcloristas, todos homens, cantando música de homens com letras machistas – típicas do contexto em que foram compostas.
Resta saber se o evento III Colóquio Ibermúsicas Chile ficará isolado do resto do contexto musical, ou se de fato servirá para motivar mudanças na percepção e na atuação da comunidade artística – principalmente a acadêmica.
Neste encontro, Eliana Monteiro da Silva vai relatar sua experiência ao participar do III Colóquio Ibermúsicas Chile, no qual representou o Brasil junto a outros 10 países da América Latina. O evento aproveitou o centenário da compositora e intérprete chilena Violeta Parra para pensar a situação da mulher na música em contextos diversos da América Latina. Participaram intérpretes, compositoras, sociólogas e antropólogas. A participação brasileira foi indicada pela FUNARTE.
Cada palestrante apresentou um aspecto da mulher na música de seu país. A fala de Eliana intitulou-se “Compositoras brasileiras no contexto da música erudita: uma história de luta contra a invisibilidade”. Vinte compositoras foram mostradas para dar uma ideia da representatividade da mulher na composição erudita brasileira. A atuação da rede Sonora para romper o cerco de invisibilidade que envolve as musicistas brasileiras em geral, e na composição em particular, foi mostrada na última parte da palestra de Eliana no colóquio.
Sonora convida para mais uma edição da série Vozes na próxima segunda-feira, 12/06/2017, às 17h30. Nesse encontro receberemos a compositora Denise Garcia.
Denise Garcia: Compositora paulista, professora doutora do Instituto de Artes da Unicamp. Bacharel em Música pela USP (1985), Mestre em Artes pela Unicamp (1993) e Doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP (1998). Realizou estudos de composição na Musikakademie Detmold e na Musikhochshule de Munique (1979-1984). Fez estágio de doutorado junto ao INA-GRM em Paris. Realizou pós-doutorado junto à Escola de Música da UFRJ (2007). Sua pesquisa musicológica se concentra na área de análise de música eletroacústica, tendo se dedicado nos últimos anos a pesquisar, documentar e analisar a música eletroacústica brasileira. Como compositora trabalhou em pesquisas interdisciplinares junto ao LUME/UNICAMP, tendo composto música para importantes produções teatrais desse Núcleo, assim como junto a projetos do Departamento de Dança da Unicamp. Nos anos 90 desenvolveu trabalhos na área da música eletroacústica, gênero musical que responde pela maior parte de sua publicação em Cds. Tem dois Cds solos publicados e várias publicações de obras em coletâneas. Nos últimos anos tem composto também obras para Orquestras Sinfônicas. Foi Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Música e Coordenadora dos Cursos de Pós-graduação do Instituto de Artes da Unicamp. Atualmente é Diretora doCiddic – Centro de Integração, Documentação e Difusão Cultural da Unicamp. (Fonte: Currículo Lattes)